A escolha de um filme como “Zabriskie Point” para debate não me parece ser um escolha nem um pouco fácil para o cineclube B.D. Muitos podem alegar o fato de ser um filme já muito comentado de um diretor considerado canônico na história do cinema moderno. Mas, para esses argumentos, que, por bem ou mal, são válidos, existe um contorno com a lembrança de que nenhum dos dois (filme e diretor), apesar de seu valor reconhecido, são unanimidades, tanto em sua época quanto hoje.
As
discussões, mesmo que inúmeras e variadas, não esgotaram a obra de
Antonioni, e, talvez nunca o façam, porque o objetivo (e principal
valor) desse cineasta sempre foi a preocupação em valorizar a
experiência individual do espectador, ou seja, seus filmes nunca
foram feitos para todos, mas para cada um em particular. Trazer à
mesa “Zabriskie Point” é sempre “ressignificar” e rever
posições políticas, tanto no cinema e na vida de quem é
contaminado por esse filme. Sim, Antonioni faz cinema de
contaminação, onde personagem contamina personagem, que é
contaminado por espaços físicos, que são contaminados por esses
personagens, que contaminam espectador e assim vai... A doença de
Antonioni não tem antídoto, mesmo para quem já é acostumado com
alguns cacoetes estilísticos e temáticos que lhe são particulares.
Não
quero nesse curto texto de apresentação enumerar características
ou significados que me sejam particulares em “Zabriskie Point” ou
em Antonioni, mas convidá-los a compartilhar conosco esta
experiência e suas opiniões, e desejar que estas sejam as mais
impressionistas possíveis.
(Guilherme
Padilha)
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