O Espelho (Zerkalo), Andrei Tarkovsky, 1975




Este filme soviético de 75, que alterna-se no espaço entre a pré-guerra, a guerra e o pós guerra de 1960, apresenta o mundo (em seus vários sentidos) percebido por Alexei.

Não é falho chamar a película de autobiográfica pelo protagonista compartilhar com o diretor memórias tais como as de guerra em Moscovo e a perda dos pais, no entanto há mais de Tarkovski, Alexei e de nós naquilo que percebemos sem nos ser contado. Vemos correr Macha, mãe de Alexei; vemos correr o vento por espaços abertos ainda que interiores; vemos correr o tempo do filme em uma direção e depois viramos em outra como se vasculhássemos entre fotos de superfície laminada que nos refletem.

Ao alternar entre esses três espaços temporais principais mais como se dobrando-os do que cortando-os (no sentido técnico de corte) e entre sonhos (tidos quando?); ao alternar entre cores; ao alternar entre a face da mãe de Alexei, da mãe de seu filho e da Jovem com um Ramo de Zimbro (retrato feito por Leonardo da Vinci) nos é dito dentre várias coisas: "de que outra forma sentimos o tempo se não como passado, presente e futuro impregnados uns nos outros no eterno agora?".

(Ludmila A. R.)

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