Lá de cima, o nobre lustre observa a fragilidade das antigas
tradições, sabendo que também será afetado por teias de aranhas e
instabilidade. A sala de música, personagem principal do filme,
possui o dom da sedução, e seu alvo favorito é seu próprio dono.
O poderoso senhor Roy (Chhabi Biswas) gasta cada centavo de sua
fortuna em eventos e luxos que um nobre deve ter para manter a
aparência diante da sociedade. A sedução é tão intensa e insana
que Roy esvazia o cofre da família com música e comes e bebes para
os eventos. Diante do ócio, o nobre se ocupava somente de música e
com o ofício de ser da nobreza.
Porém tudo isso não se passa de um flashback. De volta para
o presente, o ócio é sua única alternativa, tendo em vista que a
sala de música está fechada com fortes cadeados de tristeza. Mas a
chave para abri-los aparenta ser a competição entre a tradição e
a modernidade. Ao se sentir menosprezado por um agiota (Gangapada
Basu),
Roy acorda do coma ocioso e volta para sua sala preferida e intocada
por um bom tempo. Resolve tirar as teias de aranha e poeiras que
repousam sob a tradição.
O cenário principal possui um grande espelho que adora duplicar as
cenas mais marcantes. Ele duplica a satisfação de Roy diante dos
melhores músicos da região e dobra a vivacidade da dança de
Krishna Bai (Roshan Kumari). Mas nunca um reflexo foi tão doloroso
como foi o do nobre Roy ao perceber que estava mais velho. Ele tira a
poeira do espelho desesperadamente, mas descobre que não somente as
tradições tinham envelhecido, mas ele também.
É curioso o modo em que Satyajit Ray nos conduz pela mão por
dentro das
lembranças
do seu
personagem
principal.
O
longa-metragem
passa
rápido
como um
curta, e
o tempo
se dissipa
com tantas
músicas.
Depois de
entender os
motivos de
Roy ser
tão
infeliz, o
espectador
busca
alguma
solução
tentando
inocentemente
ajudar o
personagem,
mas se
vê tão
sem saída
e frustrado
como ele.
Ele não
é somente
um
integrante
da nobreza,
é também
um ser
humano
transtornado.
Possui
apenas dois
servos
dedicados e
uma sala
de música.
Suas
ambições,
alegrias,
excitações,
e orgulho
estão
todos
guardados
na tão
citada
sala. Será
uma boa
ideia
reabrir a
porta da
sala de
Pandora?
(Camille Reis)
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